2 de setembro de 2011

Vereador Luís Macaco: “Rogério Soares será nosso candidato a prefeito de Jardim”



Estamos repetindo a entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Jardim de Piranhas, Luís Macaco, apresentada na 87,9 Vale do Piranhas, no dia 26 de agosto de 2011.

Blog – Dando início a esta nossa conversa, gostaria que o vereador relembrasse um de sua infância na zona rural e como aqueles tempos marcaram a sua vida.

Vereador – Eu nasci no sítio Góis, há seis quilômetros da cidade. Sou filho de Severino Soares de Brito Segundo, conhecido por Nego de Macaco, e de Maria Mônica Soares, conhecida por Maria de Bilé.

Somos uma família de seis irmãos, todos nascidos na zona rural de Jardim. Tivemos uma infância que marca ainda hoje na minha vida. Eu fui um jovem bastante dedicado à zona rural.

Nós trabalhávamos pela manhã e, à tarde, vínhamos à cidade, a pé, para a estudar.

Um momento marcante foi quando, em 1981, eu e Antônio, nós conseguimos, com o dinheiro arrecadado apanhando fruta de oiticica, conseguimos comprar duas bicicletas para fazermos essa viagem do sítio para a cidade.

Eu tive uma infância que até me marca, porque foi uma infância boa, porque eu tive o espelho dos meus pais. Eu sempre digo que a família é a base de tudo, se os filhos foram bem criados, bem educados, a tendência é eles serem bem sucedidos na vida cotidiana.

Blog – Quando você descobriu que tinha vocação para a política?

Vereador – Ainda morando no sítio, a gente sempre acompanhava a política, através de fotos. Se você chegar hoje na casa em que a gente morou, você vai encontrar nas paredes da casa aquelas fotos de candidatos antigos, como, por exemplo, o deputado Willy Saldanha. Todos nós fazíamos questão de pregar aquelas fotos nas paredes, e, naquele tempo, não havia cola nem grude, era com sabão.

Para você ter uma ideia, cada um já tinha um sobrenome político: o Zé Macaco, o mais velho, já se chamava José Josias; João Macaco era João Faustino; Neto Macaco era Manoel Montenegro; o Negro Velho era Francisco José; Antônio era Antônio Florêncio; e eu, botaram o meu apelido de Washington Luís, que não chegou a ser deputado, tendo família aqui na nossa cidade e região.

Nós já tínhamos aquela vocação de pegar as fotos, torcer pelos candidatos. Aí veio 1982, com a disputa entre Galbê e Nivaldo. Depois, já em 1988, quando em vim morar definitivamente em Jardim, envolvi-me na campanha de Nivaldo Borges. Em 1992, tivemos Josidete; em 1996, José Henrique. Chegando em 2000, lançamos candidato meu irmão Antônio Macaco.

Blog – De quantas eleições você participou como candidato?

Vereador – Eu participei de três eleições. Em 2000, fui candidato pela primeira vez a vereador, obtendo uma votação de 515 votos. Em 2004, fui reeleito com uma votação de 815 votos, sendo o mais votado. Em 2008, obtive 1196 votos, novamente sendo o mais votado.

Blog – Presidente, no ano de 2000, vocês enfrentaram uma campanha duríssima. Seu irmão, Antônio Macaco, perdeu a eleição para o Executivo por apenas quatro votos. Como vocês reagiram àquela derrota e que lições puderam tirar daquele insucesso eleitoral para as futuras vitórias que conseguiram nas eleições que se seguiram?

Vereador – Nós entramos na campanha de 2000 porque em 1996 apoiamos a candidatura de José Henrique, que foi a chapa vitoriosa.

Em 2000, fomos candidatos sem aquela herança política que viesse dos nossos antecessores. Antônio foi candidato, tendo com vice João Monteiro, fomos para as ruas, sendo uma eleição que, ainda hoje, nas propostas, na criação de plano de governo, eu considero que, apesar de não termos sucesso, pudemos analisar e refletir sobre a política.

Perder é ruim? É, não resta dúvida. Mas a gente sabe que tiramos dali uma lição, e Antônio está aí, prefeito eleito e reeleito de Jardim de Piranhas.

Blog – Fale um pouco da construção da nova sede do Legislativo municipal. Como foi, para você, entregar essa obra tão grandiosa à população jardinense?

Vereador – Foi um compromisso que eu assumi diante dos meus colegas vereadores quando fui eleito presidente no ano de 2003.

Foi um desafio. Eu prometi isso aos vereadores e à população, e me sentia em dívida com essa promessa.

Na primeira gestão, em 2004, eu já comprei o terreno por 22 mil e quinhentos reais, muito dinheiro para a época. A partir dali, eu entrei em contato para fazer a planta, começando a concretizar aquele sonho.

Mas os recursos da Câmara Municipal são poucos para a construção dessa grande obra.

Teve momentos em que eu pensava: “Será que eu vou terminar do jeito que está nessa planta?”

Mas eu tive a força muito grande de todos os vereadores que ali passaram, que me deram confiança, elegendo-me cinco vezes presidente do Legislativo jardinense.

A obra demorou um certo tempo. Gastamos 221 mil reais, com o terreno, 250 mil reais, recursos próprios da Câmara Municipal.

Eu posso dizer que, naquela obra, eu coloquei meu próprio dinheiro para ser realizada, embora alguns acreditem que não.

No final, a Prefeitura deu uma ajuda muito importante, que foi a parte de móveis, de ar-condicionado.

Hoje, eu sou muito agradecido a Deus e a Nossa Senhora dos Aflitos por aquele sonho realizado.

Blog – Além dessa obra invejável, o que Luís Macaco pode destacar de positivo no seu trabalho como vereador?

Vereador – Eu tenho colocado projetos em benefício do povo de Jardim de Piranhas, como, por exemplo, a transmissão das nossas sessões por essa rádio, o que facilita o acompanhamento do nosso trabalho pelos ouvintes.

Outro projeto que eu coloquei foi em relação às placas de identificação das ruas, porque precisamos da identificação das ruas de Jardim e também dos números das casas.

Vou cobrar isso do prefeito. Se for um custo alto, vou procurar parcerias com a iniciativa privada.

O vereador não pode executar, ele pede, reivindica. A gente pede e tem que saber se a prefeitura tem caixa para executar esses pedidos.

Blog – A nossa Câmara é, reconhecidamente, uma Câmara de situação, não existindo praticamente oposição ao prefeito. Mas os nossos vereadores são criticados por não exercerem uma posição mais contundente, com mais fiscalização e denúncias contra o Executivo municipal. Essas críticas têm fundamento.

Vereador – Apesar de ser uma Câmara de situação, os vereadores tem a liberdade de fazerem suas críticas dentro do que acharem necessário.

Eu mesmo, apesar de ser irmão do prefeito, faço críticas às vezes para melhorar em algumas áreas.

Os vereadores têm atuado cobrando, reivindicando. Desde a época em que sou vereador temos esse clima de familiarização, de harmonia. Muitas vezes, os problemas existem, agora precisamos tentar resolvê-los, pelo menos em parte.

Às vezes, chega um vereador dizendo que vai usar a tribuna para reivindicar alguma coisa, aí a gente entra em contato com o prefeito e ele resolve, sem precisar de alarde.

Blog – Há declarações na mídia de que o pré-candidato a prefeito representando os sistemas Maia/Macaco será Rogério Soares. No entanto, há comentários de que essa pré-candidatura ainda não está plenamente consolidada. Fala-se no nome da doutora Belinha e, inclusive, no seu nome, se a lei permitir.

Como você explica essa indecisão? O seu sistema já chegou a uma conclusão sobre qual nome seria o ideal para disputar a prefeitura em 2012?

Vereador – Vamos começar sobre Belinha, que é minha sobrinha. Mas, na política, tudo tem seu momento. Belinha ainda vai terminar o curso de medicina em 2014. Eu já perguntei a Belinha se era tinha vocação para ser prefeita de Jardim, e ela me disse que primeiramente gostaria de se formar e, depois, se der certo, se a população aprovar, aí, eu posso pensar em botar meu nome à disposição.

Com relação a Rogério Soares. É meu primo, meu compadre. Eu faço parte de um sistema que hoje tem como líderes Antônio e João Maia. A gente já teve uma conversa preliminar, mastigada, na qual João Maia perguntou se Rogério tinha esse sonho de administrar sua terra, e ele disse que tinha esse sonho, mas não era ambicioso de chegar e impor seu nome.

Com relação a minha pessoa. Muitas vezes me dizem que sou um nome de consenso. Eu confesso que estou para somar, para juntar, para agregar. Para colocar meu nome, eu tenho que ter uma garantia do apoio de Antônio, Galbê, Rogério, João Maia, Josidete, Agaciel, e o mais interessante: que a população também me dê o seu apoio. Mas temos que ver a questão legal.

Eu afirmo que 90% já está definido e que o nome é Rogério. E, para isso, eu vou lutar, no seu palanque, para que ele aperfeiçoe ainda mais a atual administração.

Eu não vou sonhar com isso de ser candidato, criando uma falsa expectativa no eleitor.

Quem está na vida pública deseja ser prefeito de sua cidade, assim como deseja Edmilson, Jane, Chó, Gute e muitos outros. Mas, para gente, a eleição se faz juntando forças.

Blog – Presidente, há alguma possibilidade de se inverter a posição da chapa apoiada pelo prefeito, no caso, colocando um nome apoiado pelos Maia para a cabeça da chapa e um nome apoiado pelo sistema Macaco para vice? Isso já foi objeto de alguma discussão entre vocês?

Vereador – Na conversa que tivemos com João Maia, a gente ouviu dele que quem estiver melhor nas pesquisas será cabeça de chave. Eu tenho a maior admiração por Galbê, porque ele não consegue ter raiva de ninguém. Se o nome de Rogério está bem nas pesquisas, então ele será o cabeça de chapa.

Blog – Presidente, a administração atual tem trabalhado bastante, isso é fato reconhecido pela população. No entanto, nos últimos meses, temos notado que algumas obras que foram iniciadas estão paralisadas, como, no caso, o posto de saúde e a praça de eventos. Você, como presidente da Câmara e irmão do prefeito, tem alguma informação sobre os motivos que resultaram na paralisação dessas obras? E há algum prazo para que elas sejam reiniciadas?

Vereador – Muitas vezes as pessoas nos fazem cobranças justas. Mas uma coisa é você está fora da administração, outra coisa é está administrando. O nosso município está perdendo quase 200 mil em receitas.

Com relação às obras paradas, você precisa da liberação do dinheiro para tocar as obras. O posto de saúde, estão só dependendo da parte da laje para recomeçar as obras. A passagem molhada do Riacho dos Bois estará sendo concluída, acredito, dentro destes sessenta dias.

Vamos começar agora em pavimentação, que é uma das bandeiras de Antônio Macaco. Precisamos de imediato fazer urgentemente o conjunto habitacional, a Nova Jardim, um conjunto com avenidas padronizadas, com locais para posto de saúde, para creches, para a prática de esportes.

Blog – Partindo da hipótese de que você não poderá ser pré-candidato a prefeito e que as pré-candidaturas de Rogério e Elídio sejam consolidadas, você acredita que poderemos correr o risco de repetimos a campanha de 2000, com todos os seus problemas? O que fazer, então, para termos uma campanha mais equilibrada, sem brigas, sem intrigas, mesmo que seja uma campanha dura?

Vereador – É preocupante. A gente precisa sem paixão. A gente ta vendo que estão se formando duas candidaturas fortes, mas estão se falando muito na questão financeira. Primeiramente, eu acredito na candidatura que está ligada à razão e não à emoção, que as propostas sejam discutidas com associações, com a população, para saber o que é melhor para Jardim.

Eu só sincero a dizer. Os dois pré-candidatos são pessoas boas, mas precisamos no melhor para Jardim, retirando a questão do dinheiro. O dinheiro em si faz muito mal, se você não souber gastá-lo. Tem candidato dizendo que vai gastar milhões para ganhar as eleições. E, depois, ele estará preparado para administrar Jardim?

Eu não acredito em pré-candidatura em que as coisas são decididas em mesas de bares. Eu acredito em projetos.

Ainda há muita coisa para fazer por Jardim. Se você me perguntar sobre minha preferência, eu afirmo que meu pré-candidato é Rogério.

Em relação ao chapão, há possibilidade de acontecer, pois Rogério e Elídio são amigos, têm afinidades.

Esperamos que pensem no melhor para Jardim, pensem no radicalismo que houve em 2000.

Blog – Presidente, você participou ativamente dos acertos para a conclusão do acordo Maia/Macaco. Esse acordo, no entanto, está recebendo críticas, visto que ele não trouxe vantagens políticas para o sistema comandado pelo deputado João Maia. Não existem secretários ou outro tipo de auxiliar do prefeito que tenham sido apontados pelo sistema Maia, ou seja, eles alegam que não foram contemplados com cargos e só serviram para eleger Antônio. Essas críticas têm fundamento? Por que o sistema Maia não teve espaço no governo de Antônio Macaco?

Vereador – Eu acredito que a união só trouxe muitos benefícios para Jardim. Temos obras e máquinas que chegaram a Jardim pelas mãos de Antônio Macaco e João Maia. Conseguimos dinheiro para as passagens molhadas e adutoras, além da praça de eventos e posto de saúde, dentre outras obras.

Com relação aos secretários, eu tenho defendido que o sistema de Galbê tenha direito a uma, duas ou mais secretarias. Ele tem que ter mais espaço na atual administração.

Blog – Presidente, o que mais o satisfaz no seu dia a dia como vereador?

Vereador – O que me deixa mais feliz é quando sou procurado para resolver os problemas das pessoas e eu, naquela hora, procuro resolvê-los.

Também é o calor humano, o contato com as pessoas, isso me deixa bastante feliz. Quando as pessoas procuram o seu parlamentar é porque deseja ser atendidas.

Blog – Deixe sua mensagem para a população jardinense, principalmente em relação à festa da padroeira, que está prestes a começar.

Vereador – São dez dias de festa que eu faço questão de não me ausentar da cidade. Eu quero deixar uma mensagem a todos os jardinenses que esse é o momento de todos nós nos confraternizarmos.

Tantos e tantos filhos de Jardim estão contando as horas para estarem aqui para a festa de nossa padroeira.

Peço que participemos da parte religiosa e social, e que esta festa de 2011 seja melhor do que a de 2010, e que possamos participar, brincar e nos confraternizarmos, sob as bênçãos de Nossa Senhora dos Aflitos.

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Créditos: Tiago Dantas